O projeto de Villebon sur Yvette procede de uma inspiração arquitetônica singular trata se de criar um lugar criar uma paisagem criar um destino no território valorizando os vestígios naturais restantes do sítio compondo um quadro artificial que põe em relação massas construídas um cenário onde o olhar é canalizado um jogo entre o mineral e o vegetal um teatro de molduras e reflexos uma composição volumétrica sensível Esse é o desafio do projeto fazer um lugar a partir de um não lugar reencontrar e depois expressar o seu próprio genius loci O estacionamento é um dos instrumentos privilegiados para a criação de um tal lugar ele representa uma colina e é vegetado de acordo Grandes estruturas metálicas permitem criar efeitos de encosta plantada nas suas fachadas sobretudo porque os níveis não se sobrepõem mas são deslocados uns em relação aos outros oferecendo inclinações naturais para a criação dessa paisagem Em certos pontos grandes molduras desempenham um papel reflexivo enquadram ao mesmo tempo a paisagem descoberta a partir do estacionamento como uma janela que os visitantes podem usar e fazem deles sujeitos que enquadram sob o olhar de outros passantes que os observam de fora
Uma palavra chave explica todo o projeto de Villebon é a de imbricação A metáfora desenvolvida no projeto pertence propriamente à arte da marcenaria para fabricar caixas de joias ou toucadores o marceneiro trabalha sucessões de gavetas e caixas encaixadas umas nas outras parcial ou totalmente até produzir um objeto desmontável com complicações uma espécie de móvel surpresa que revela tanto quanto contém à medida que se abre descobrindo novos segredos
É isso que é o projeto de Villebon uma caixa de segredos uma espécie de boneca russa que joga com o dentro e o fora que desenvolve um jogo de gavetas de imbricações e de espelhos A decoração interior do projeto participa dos mesmos jogos inspira se numa arquitetura de boudoir baseada em cores e materiais relacionados rosa coral madeira envernizada tecidos capitonados e acolchoados


